

Introdução
Este
capítulo objetiva registrar uma pesquisa inicial para
um futuro trabalho de elaboração de material didático
a partir do gênero resenha de restaurantes . Este estudo
foi realizado no Curso de Especialização em Língua
Inglesa, no Programa de Pós-Graduação LATO-SENSU
da UNITAU, na disciplina: Tópicos em Análise do
Discurso – Elementos de Análise do Discurso para
Ensino-Aprendizagem de Língua Inglesa.
Esta disciplina objetivou introduzir alguns conceitos teóricos
consensuais oriundos de teorias de base enunciativo-discursiva
(enunciador, destinatário, modalizações,
vozes, entre outros), mas, sobretudo, conceitos do Interacionismo
sociodiscursivo, tal como apresentado por Bronckart (1997).
Sendo assim, houve ênfase no estudo do conceito de gênero
textual (Bronckart 1997), de maneira a utilizar esse conceito
como subsídio para análise de gêneros que
fossem relevantes ao contexto de ensino-aprendizagem,de Língua
Inglesa, dos discentes participantes. Alguns gêneros (instrução
de segurança interna de um ônibus intermunicipal;
recibo de estacionamento; receitas; bilhetes de loteria; anúncio
de emprego; rótulo de produto alimentício; carta
de apresentação e carta de solicitação
de informação) foram analisados nas primeiras
aulas da disciplina e, posteriormente, focalizou-se no gênero
resenha de restaurantes para a realização de um
estudo mais profundo sobre os conceitos estudados e sua aplicação
no contexto pedagógico visando a encontrar maneiras de
transpor a teoria para a prática de sala de aula.
Neste capítulo, os discentes da referida disciplina apresentam
uma análise preliminar que fizeram sobre um exemplo de
resenha de restaurantes em inglês. Para este livro, este
capítulo colabora com a ilustração dos
primeiros passos que um professor pode tomar para iniciar o
processo de elaboração de material didático.
Os autores estão cientes de que apenas uma análise
de um único texto, embora contendo várias pequenas
resenhas de restaurante, não é o bastante para
a elaboração de um material didático. Novamente,
a ênfase da contribuição deste capítulo
está no registro da pesquisa inicial realizada para um
futuro aprofundamento dos estudos na área.
Este capítulo foi escrito em um processo colaborativo
intra-classe. O grupo de discentes foi dividido em grupos de
trabalho com objetivos específicos de análise.
Ao final, as análises foram compartilhadas e organizadas
pelas discentes do curso neste texto.
O capítulo inicia como uma breve apresentação
teórica sobre gêneros textuais. Posteriormente,
a análise preliminar dos diferentes níveis de
análise textual (Bronckart, 1997) e das capacidades de
linguagem a eles correspondentes (Dolz & Schneuwly, 2004)
são apresentadas e finalmente é feita uma reflexão
sobre o trabalho realizado pelos discentes.
Por que analisar e ensinar gêneros textuais?
Para
iniciar essa seção, faz-se necessário destrinchar
os objetivos do ensino de gêneros textuais para alunos
tanto de Língua Materna (LM), quanto de Língua
Estrangeira (LE). Iniciamos com uma breve pesquisa bibliográfica
que aborda gêneros textuais e capacidades de linguagem.
Segundo Marcuschi (2005:23) "os gêneros textuais
são realizações lingüísticas
concretas, definidas por propriedades sócio-comunicativas
e constituem textos empiricamente realizados cumprindo funções
em situações comunicativas". Isso remete
à idéia de que "os gêneros são
formas mais ou menos estáveis de enunciados que possibilitam
comunicação e ação no mundo"
(Abreu-Tardelli, neste volume:pgboneco). Partindo desse pressuposto,
pode-se afirmar que é possível a visualização
do gênero como ferramenta (Schneuwly, 1994) para agir
comunicativamente e incitando transformações reais
à volta do enunciador.
Sendo o gênero ferramenta (Schneuwly, 1994), pode-se considerá-lo
também unidade de ensino (Dolz & Schneuwly, 2004),
pois segundo Abreu-Tardelli, (neste volume: pgboneco):
Ensinarmos gêneros de textos para nossos alunos é
instrumentalizá-los com ferramentas de que precisam para
agirem no mundo em que vivem. Muito se fala hoje em construção
da cidadania; o ensino de gêneros é uma forma concreta
de possibilitar a formação desse cidadão
no contexto escolar.
Essa visão deixa mais clara a importância de se
ensinar gêneros textuais aos alunos no aprendizado de
línguas, uma vez que poderão utilizá-los
em seu dia-a-dia como instrumentos para agir comunicativamente,
ou seja, provocar mudanças no mundo em que vive e neles
mesmos.
Avançando na reflexão sobre os gêneros de
textos e seu uso no ensino aprendizagem de línguas, podemos
inferir que, ao usar os gêneros como ferramenta para agir
no mundo, os alunos exercerão sua cidadania, ou seja,
exercerão seus direitos enquanto cidadãos. A partir
daí, pode-se enxergar o papel do gênero na vida
dos alunos, apontando que ele é o instrumento utilizado
pelo homem (nesse caso, o aluno) para exercer seu papel social
no mundo em que vive.
Ao reconhecer a importância do ensino de gêneros,
o professor poderá elaborar material didático
para o ensino de línguas, baseado nas idéias de
ações comunicativas, cidadania e desenvolvimento,
acima apresentadas. Para isso, deverá analisar vários
textos pertencentes ao gênero que se quer estudar e escolher
os mais adequados a serem ensinado, criando um modelo didático
específico para a realidade de cada sala de aula.
Como escolher os gêneros trabalhados em aula?
Os
critérios para a escolha e adequação dos
gêneros e criação do modelo didático
serão apresentados a seguir, de acordo com Cristóvão
(2002) que se baseia, por sua vez, em Dolz e Schneuwly (1998).
Na análise de textos para a caracterização
de um gênero deve-se observar os seguintes elementos:
. Resultados de aprendizagem expressos por documentos
oficiais (de instâncias governamentais, da escola etc.)
e determinação das capacidades reveladas pelos
alunos;
. Conhecimentos dos experts na produção
do gênero em foco, inclusive conhecimentos lingüísticos
elaborados sobre ele, quer seja por experts ou por lingüistas;
. Capacidades de linguagem dos alunos (que serão
destrinchadas em breve nesse texto).
Ainda
de acordo com Cristóvão (2002:96), baseada em
Dolz e Schneuwly (1998):
É necessário que um corpus de textos pertencentes
ao gênero seja analisado, para que sejam assinaladas suas
características centrais.
Além disso, deve-se escolher um bom tema para desenvolver
atividades em sala de aula e, para isso, devem ser levadas em
consideração as quatro dimensões apresentadas
a seguir (Cristóvão, 2002:97):
. A dimensão psicológica: incluindo as motivações,
a afetividade e os interesses dos alunos;
. A dimensão cognitiva: refletindo a complexidade
do tema e o estatuto do conhecimento dos alunos;
. A dimensão social: envolvendo a densidade social
do tema, suas potencialidades polêmicas, a relação
entre eles e os participantes, os aspectos éticos, sua
presença real no interior ou exterior da escola e a possibilidade
de, com ele se desenvolver um projeto de classe e;
. A dimensão didática: que demanda que o
tema não seja excessivamente cotidiano, mas que possa
ser apreensível.
Consideradas
essas dimensões, devem ser respeitados os seguintes princípios
(Cristóvão, 2002:97):
.
"Pertinência: respeitando-se as finalidades e os
objetivos escolares em função das capacidades
dos alunos;
. Legitimidade: utilizando-se de conhecimentos de experts
considerados legítimos pela comunidade a que pertencem;
. Solidarização: integrando-se as diferentes
dimensões que constituem o gênero."
Um
outro conceito essencial para o trabalho com gêneros de
textos é o de capacidades de linguagem, tal como proposto
por Dolz & Schneuwly (2004) que explicam que a noção
de capacidades de linguagem evoca as aptidões requeridas
do aprendiz para a produção de um gênero
numa situação de interação determinada:
adaptar-se às características do contexto e do
referente (capacidade de ação); mobilizar modelos
discursivos (capacidades discursivas); dominar as operações
psicolingüísticas e as unidades lingüísticas
(capacidades lingüístico-discursivas).
Vejamos a seguir cada uma das capacidades de linguagem mais
detalhadamente. A primeira delas a ser discutida é a
de ação. A capacidade de ação trata
das representações que o agente produtor do texto
tem sobre o contexto em que o gênero será produzido
(Dolz & Schneuwly, 2004). Assim, a partir das representações
que ele tem desse contexto, ele vai fazer as escolhas lingüísticas
mais apropriadas à situação, levando em
conta as seguintes questões: Quem escreve o quê;
para quem; quando; onde e com qual objetivo?
A segunda capacidade de linguagem envolvida na produção
textual é a discursiva. Dentro dela, o homem mobiliza
modelos discursivos (Dolz e Schneuwly, 2004) para produzir seu
texto. Pode-se dizer que ela diz respeito aos tipos de discurso
e aos tipos de seqüências predominantes que um determinado
gênero apresenta. Essas seqüências podem ser
narrativas (que contam uma história), argumentativas
(que tentam convencer ou persuadir o leitor), explicativas (que
objetivam esclarecer algo difícil), descritivas (que
fazem o leitor visualizar um conceito ou objeto), dialogais
(que estabelecem relação de troca entre dois participantes
ou mais) ou descritivas de ações (que intuem fazer
com que o leitor veja ações a serem desenvolvidas
para que ele alcance macro ações). Essas seqüências
podem ser combinadas durante a produção de maneira
que criem um texto misto e, ainda, adequado ao contexto. Já
os tipos de discurso são operações psico-linguageiras
segundo as quais o agente-produtor do texto organiza seu discurso
em mundos discursivos da ordem do narrar (mundo disjunto ao
da situação de comunicação) ou da
ordem do expor (mundo conjunto ao da situação
de comunicação). Além disso, tanto no eixo
do narrar quanto no eixo do expor, o agente produtor pode deixar,
em seu texto, marcas do contexto de produção,
caracterizando o eixo da implicação. Ele pode
também omitir essas marcas, caracterizando o eixo da
autonomia em relação ao contexto de produção.
Combinado esses quatro eixos, temos os quatro tipos de discurso
propostos por Bronckart (1997): mundo do expor implicado (discurso
interativo); mundo do expor autônomo (discurso teórico);
mundo do narrar implicado (relato interativo); mundo do narrar
autônomo (narração).
A terceira capacidade de linguagem a ser analisada em relação
à produção de textos é a lingüístico-discursiva.
É no desenvolvimento dela que o aluno deverá dominar
as operações psicolingüísticas e as
unidades lingüísticas (Dolz & Schneuwly, 2004).
É com ela que o aluno desenvolverá seu texto lançando
mão do uso correto das coesões nominais e verbais,
da conexão apropriada entre os elementos de seu discurso,
da coerência ao longo da produção, da modalização
do discurso e do paralelismo presente na sua construção.
Uma vez que o aluno tenha compreendido o gênero de texto
apresentado e seu contexto de produção, sua tarefa
passa a ser a de produzir seu próprio texto utilizando-se
das suas capacidades. Para tal, ele deverá, primeiramente,
definir o enfoque de sua produção (aqui ele utilizará
a capacidade de ação), escolher os tipos de discurso
e as seqüências mais relevantes ao gênero proposto
(utilizando-se, nessa parte, da capacidade discursiva) e moldar
a produção de maneira que fique clara, coesa e
coerente (nesse ponto, utilizando-se da capacidade lingüístico-discursiva).
A partir dos pressupostos teóricos expostos até
então, a seguir encontraremos uma análise preliminar
do texto "The Finest Dining in Virginia, Maryland and
District" , escolhido por ser um exemplar contendo vários
exemplos do gênero resenha de restaurantes e analisado
segundo Bronckart (1997). Esta análise refere-se a um
primeiro passo para uma futura elaboração de material
didático para o ensino da Língua Inglesa, como
trabalho do curso de Especialização já
mencionado.
A análise preliminar: primeiras descobertas
Nesta
seção serão apresentas as conclusões
iniciais sobre o estudo preliminar sobre o texto escolhido.
Esta análise faz-se necessária uma vez que para
a futura elaboração do material didático,
é necessário iniciar e complementar os estudos
de levantamento das características do gênero escolhido.
O que segue é o início desse processo.
Observando o texto podemos perceber que se trata de um texto
que contém várias resenhas de restaurantes e que
foi retirado da Internet. Os lugares de referência são
Virginia, Maryland e District, nos Estados Unidos da América.
O texto se encontra em um link de um site, cujo nome é
Washingtonian on-line. Isso pode ser observado por meio de alguns
indícios, como por exemplo, "on-line" no
canto superior esquerdo, e "back to top" no meio
da página, que nos remetem a textos da web. Estando permanentemente
on-line, ele pode ser acessado a qualquer momento antes do leitor
escolher o restaurante no qual quer ir, na seção
denominada "Restaurants & Dining", em que os
comentários são descritos com referência
e base nos "100 Very Best Restaurants" (análise
dos 100 Melhores Restaurantes de Virgínia, Maryland e
distritos - EUA).
Os emissores do texto são Thomas Head, David Dorsen,
e Cynthia Hacinli, que como enunciadores têm o papel social
de críticos e/ou jornalistas especializados em gastronomia,
com o objetivo de informar o receptor sobre os 100 melhores
restaurantes das regiões mencionadas acima, destacando
aspectos como: qualidade da comida (o critério principal),
qualidade do serviço, e preço. O texto apresenta
uma descrição de vários restaurantes e
pode auxiliar o destinatário na escolha de um lugar para
jantar, por exemplo. Os destinatários são possíveis
clientes, de classe econômica que varia entre média
e alta, que apreciam a boa culinária. As resenhas foram
divididas por regiões e elaboradas pelos três autores.
Após uma breve análise do contexto de produção
do texto, passaremos agora à análise de seus aspectos
discursivos. Investigaremos a organização textual
que aborda o plano global do texto, o tipo de discurso e a seqüência
dominante no referido texto.
O texto está organizado em duas grandes partes: na primeira
há uma apresentação geral da coluna escrita
pelos três autores. Em seguida, vemos as pequenas resenhas
dos restaurantes. Sendo assim, temos, na primeira parte, o título
do site, seguido do título da seção: restaurants
and dining. Logo depois, entre duas colunas contendo links,
à esquerda, e outra contendo uma foto da revista e outros
links, à direita, temos os subtítulos da página:
100 very best restaurants ; the finest dining in Virginia Maryland
and the District. Depois disso, temos uma parte introdutória
que faz uma análise da situação geral dos
restaurantes na região, sobretudo após os ataques
de 11 de setembro. Em seguida, temos os critérios de
classificação dos restaurantes, com explicação
dos critérios gerais e mais específicos. Nessa
parte, em um primeiro momento, há uma avaliação
do restaurante em geral, como por exemplo: "Restaurants
are rated as good ?, very good ??, superior ??? or outstanding
????" e depois é avaliado o custo dos pratos: "A
dinner for two-without alcohol but including three courses,
tax, and a 15-percent tip is the basis for the cost guide: $40
or less, inexpensive; $41 to $70, moderate; $71 to $130, expensive;
more than $130, very expensive". Finalmente, os autores
dizem quem se encarregou dos restaurantes de qual região.
Na segunda parte, temos um título que a separa da primeira
parte: twenty places to watch. Logo depois, temos a divisão
por áreas, que é introduzida, por sua vez, por
um subtítulo que contém as especialidades destacadas
de cada região, como por exemplo: DISTRICT OF COLUMBIA:
Mussels and Fries, a New Seafood House, and French Cooking Meets
Índia. Em cada uma das regiões, encontramos algumas
resenhas curtas, dos restaurantes analisados por cada autor.
Podemos sintetizar o plano global do texto analisado, descrito acima, através do seguinte quadro:
| Primeira
parte . Título do site e título da seção . Subtítulos . Análise da situação geral dos restaurantes da região . Critérios gerais de classificação . Critérios mais específicos . Indicação dos críticos por área de restaurantes |
| Segunda
parte . Título . Área e tipos de comida encontrada nos restaurantes da área . Resenhas dos restaurantes da área . Área e tipos de comida encontrada nos restaurantes da área . Resenhas dos restaurantes da área . Área e tipos de comida encontrada nos restaurantes da área . Resenhas dos restaurantes da área |
Na segunda parte, encontramos o conjunto de resenhas. Estas
têm características comuns ao gênero resenha,
apresentando uma breve descrição do restaurante
e uma avaliação crítica. Assim, os textos
expõem características dos restaurantes e incluem
apreciações críticas sobre eles. O plano
global do texto de cada resenha pode ser exemplificado da seguinte
forma: nome do restaurante; endereço; breve descrição,
contendo apreciação; classificação
segundo os preços praticados no restaurante.
Dessa forma, as resenhas apresentam uma predominância
da seqüência descritiva, tendo em vista que o objetivo
é auxiliar na visualização de características
específicas, como: qualidade da alimentação,
custo das refeições, localização
dos restaurantes, entre outros. Outra característica
da seqüência descritiva presente no texto está
relacionada à qualidade dos alimentos que pode ser encontrada
na descrição de alguns produtos e também
nas apreciações dos restaurantes que recebem como
forma de avaliação nomenclaturas diferenciadas.
A classificação por estrelas indicando qualidade
pode ser visualizada à esquerda, em grupos de alguns
restaurantes que possuem o mesmo número de estrelas.
Vale salientar que como a finalidade das resenhas não
é apenas comunicar, mas também possibilitar a
tomada de decisão por parte de leitor, elas apresentam
comentários avaliativos, que, neste caso, devido ao breve
espaço dedicado a cada restaurante, aparecem em uma fusão
com a descrição do restaurante. Sendo assim, podemos
dizer que a própria descrição do restaurante
já é avaliativa, não sendo necessário
um trecho posterior para veicular a apreciação.
Referindo-se agora ao tipo de discurso encontrado na resenha,
pode-se dizer que se trata de um tipo de discurso autônomo,
já que não existem marcas que remetem ao contexto
de produção do texto, tais como: dêiticos
de pessoa, temporais, espaciais etc. Além disso, o mundo
discursivo criado é conjunto ao mundo da interação,
caracterizando assim o tipo de discurso "discurso interativo".
Já nos direcionando ao final da análise realizada,
em relação aos principais aspectos lingüísticos,
encontramos os mecanismos de textualização, divididos
em coesão nominal e verbal, e os mecanismos enunciativos
como, por exemplo, as vozes do discurso e a modalização.
Em relação à coesão nominal, podemos
citar a grande quantidade de nominalizações, encontradas
em frases longas que procuram apresentar o máximo de
informações possíveis em um espaço
bastante restrito. Podemos ver um exemplo da coesão nominal
no seguinte parágrafo: Komi (1509 17th St., NW; 202-332-9200).
Chef Johnny Monis's casual American restaurant offers
good cooking and conscientious and enthusiastic service. Moderate.
A densidade de adjetivos e substantivos é bastante ala
devido à necessidade de caracterizar ao máximo
o restaurante no menor espaço possível.
A coesão verbal realiza-se no texto, por meio do uso
de um mesmo tempo verbal em todos os parágrafos, no caso,
o presente do indicativo, por exemplo: transforms, cooks, reflects,
etc. A densidade verbal é bastante baixa, sendo que podemos
encontrar geralmente um verbo por resenha, raramente dois verbos
e às vezes, nenhum verbo. Este fato está em acordo
com o que observamos em relação à coesão
nominal, já que predominam os elementos avaliativos.
Analisando a modalização, percebe-se a predominância
de modalizações apreciativas, que exprimem julgamento
de valor por meio dos adjetivos avaliativos axiológicos,
que, neste caso, são positivos . Por exemplo: new luxury
restaurant, classic and contemporary Belgian dishes in a stylish....
Para finalizar, em relação às vozes presentes
na resenha temos as vozes dos três jornalistas Thomas
Head, David Dorsen e Cynthia Hacinli, que assinam seus textos,
caracterizando vozes que são explícitas no texto.
Além disso, por se tratar de um texto presente no site
Washingtonian on-line, podemos dizer que a voz do site aparece
por trás das vozes dos jornalistas, já que eles
veiculam a maneira de pensar e de julgar estabelecida na redação
do site. Ainda analisando as vozes explícitas, temos
algumas menções a chefs de cozinha conhecidos,
que funcionam como argumentos de autoridade, para atestar a
qualidade do restaurante.
Podemos inferir, ainda, analisando as vozes que estão
implícitas no texto, que por trás da voz do site
Washingtonian on-line, há uma voz da ideologia americana,
que aponta a recuperação dos Estados Unidos depois
dos ataques de 11 de setembro, indicando o poder de superação
de que o país é capaz. Assim, vemos que os jornalistas
interessam-se em mostrar um American way-of-life que está
mais vivo do que nunca, alguns anos após o ataque. Essa
voz implícita pode ser percebida através da categoria
do interdiscurso, apontada por Maingueneau (1989) como sendo
uma das formas de perceber a heterogeneidade constitutiva do
texto, que veicula vozes não tão facilmente identificáveis.
Algumas reflexões sobre o caminho percorrido
Este capítulo mostrou uma análise inicial elaborada por futuros Especialistas em Língua Inglesa, que procuraram fazer um levantamento preliminar das características de um texto encontrado em uma página da internet e que apresenta um conjunto de resenhas de restaurantes. A análise pôde evidenciar as características deste texto em específico, mas que também podem estar presentes em outros textos semelhantes a este. Em um passo futuro, os pesquisadores pretendem analisar outros exemplos do mesmo gênero de texto. Essa ação possibilitará um contraste e cruzamento de informações que possibilitará avançar na caracterização do gênero estudado, permitindo avançar na elaboração do modelo de gênero, passo essencial para qualquer elaboração de material didático baseada no conceito de gênero de texto.
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acesso em 20/08/2006, 12h40.