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In: DAMIANOVIC, M.C. (org) Material Didático:
Elaboração e Avaliação. 199- 214, Cabral 2007.

A Elaboração de Material Didático para o ensino da língua inglesa:
um estudo preliminar baseado na noção de gênero de texto
Eliane Lousada (Aliança Francesa)
Maria Cristina Damianovic
Tatiana Aparecida Barbosa et al (Programa de Especialização em Língua Inglesa / UNITAU)


Introdução

Este capítulo objetiva registrar uma pesquisa inicial para um futuro trabalho de elaboração de material didático a partir do gênero resenha de restaurantes . Este estudo foi realizado no Curso de Especialização em Língua Inglesa, no Programa de Pós-Graduação LATO-SENSU da UNITAU, na disciplina: Tópicos em Análise do Discurso – Elementos de Análise do Discurso para Ensino-Aprendizagem de Língua Inglesa.

Esta disciplina objetivou introduzir alguns conceitos teóricos consensuais oriundos de teorias de base enunciativo-discursiva (enunciador, destinatário, modalizações, vozes, entre outros), mas, sobretudo, conceitos do Interacionismo sociodiscursivo, tal como apresentado por Bronckart (1997). Sendo assim, houve ênfase no estudo do conceito de gênero textual (Bronckart 1997), de maneira a utilizar esse conceito como subsídio para análise de gêneros que fossem relevantes ao contexto de ensino-aprendizagem,de Língua Inglesa, dos discentes participantes. Alguns gêneros (instrução de segurança interna de um ônibus intermunicipal; recibo de estacionamento; receitas; bilhetes de loteria; anúncio de emprego; rótulo de produto alimentício; carta de apresentação e carta de solicitação de informação) foram analisados nas primeiras aulas da disciplina e, posteriormente, focalizou-se no gênero resenha de restaurantes para a realização de um estudo mais profundo sobre os conceitos estudados e sua aplicação no contexto pedagógico visando a encontrar maneiras de transpor a teoria para a prática de sala de aula.

Neste capítulo, os discentes da referida disciplina apresentam uma análise preliminar que fizeram sobre um exemplo de resenha de restaurantes em inglês. Para este livro, este capítulo colabora com a ilustração dos primeiros passos que um professor pode tomar para iniciar o processo de elaboração de material didático. Os autores estão cientes de que apenas uma análise de um único texto, embora contendo várias pequenas resenhas de restaurante, não é o bastante para a elaboração de um material didático. Novamente, a ênfase da contribuição deste capítulo está no registro da pesquisa inicial realizada para um futuro aprofundamento dos estudos na área.

Este capítulo foi escrito em um processo colaborativo intra-classe. O grupo de discentes foi dividido em grupos de trabalho com objetivos específicos de análise. Ao final, as análises foram compartilhadas e organizadas pelas discentes do curso neste texto.

O capítulo inicia como uma breve apresentação teórica sobre gêneros textuais. Posteriormente, a análise preliminar dos diferentes níveis de análise textual (Bronckart, 1997) e das capacidades de linguagem a eles correspondentes (Dolz & Schneuwly, 2004) são apresentadas e finalmente é feita uma reflexão sobre o trabalho realizado pelos discentes.

Por que analisar e ensinar gêneros textuais?

Para iniciar essa seção, faz-se necessário destrinchar os objetivos do ensino de gêneros textuais para alunos tanto de Língua Materna (LM), quanto de Língua Estrangeira (LE). Iniciamos com uma breve pesquisa bibliográfica que aborda gêneros textuais e capacidades de linguagem.

Segundo Marcuschi (2005:23) "os gêneros textuais são realizações lingüísticas concretas, definidas por propriedades sócio-comunicativas e constituem textos empiricamente realizados cumprindo funções em situações comunicativas". Isso remete à idéia de que "os gêneros são formas mais ou menos estáveis de enunciados que possibilitam comunicação e ação no mundo" (Abreu-Tardelli, neste volume:pgboneco). Partindo desse pressuposto, pode-se afirmar que é possível a visualização do gênero como ferramenta (Schneuwly, 1994) para agir comunicativamente e incitando transformações reais à volta do enunciador.

Sendo o gênero ferramenta (Schneuwly, 1994), pode-se considerá-lo também unidade de ensino (Dolz & Schneuwly, 2004), pois segundo Abreu-Tardelli, (neste volume: pgboneco):

Ensinarmos gêneros de textos para nossos alunos é instrumentalizá-los com ferramentas de que precisam para agirem no mundo em que vivem. Muito se fala hoje em construção da cidadania; o ensino de gêneros é uma forma concreta de possibilitar a formação desse cidadão no contexto escolar.
Essa visão deixa mais clara a importância de se ensinar gêneros textuais aos alunos no aprendizado de línguas, uma vez que poderão utilizá-los em seu dia-a-dia como instrumentos para agir comunicativamente, ou seja, provocar mudanças no mundo em que vive e neles mesmos.
Avançando na reflexão sobre os gêneros de textos e seu uso no ensino aprendizagem de línguas, podemos inferir que, ao usar os gêneros como ferramenta para agir no mundo, os alunos exercerão sua cidadania, ou seja, exercerão seus direitos enquanto cidadãos. A partir daí, pode-se enxergar o papel do gênero na vida dos alunos, apontando que ele é o instrumento utilizado pelo homem (nesse caso, o aluno) para exercer seu papel social no mundo em que vive.
Ao reconhecer a importância do ensino de gêneros, o professor poderá elaborar material didático para o ensino de línguas, baseado nas idéias de ações comunicativas, cidadania e desenvolvimento, acima apresentadas. Para isso, deverá analisar vários textos pertencentes ao gênero que se quer estudar e escolher os mais adequados a serem ensinado, criando um modelo didático específico para a realidade de cada sala de aula.

Como escolher os gêneros trabalhados em aula?

Os critérios para a escolha e adequação dos gêneros e criação do modelo didático serão apresentados a seguir, de acordo com Cristóvão (2002) que se baseia, por sua vez, em Dolz e Schneuwly (1998).
Na análise de textos para a caracterização de um gênero deve-se observar os seguintes elementos:
. Resultados de aprendizagem expressos por documentos oficiais (de instâncias governamentais, da escola etc.) e determinação das capacidades reveladas pelos alunos;
. Conhecimentos dos experts na produção do gênero em foco, inclusive conhecimentos lingüísticos elaborados sobre ele, quer seja por experts ou por lingüistas;
. Capacidades de linguagem dos alunos (que serão destrinchadas em breve nesse texto).

Ainda de acordo com Cristóvão (2002:96), baseada em Dolz e Schneuwly (1998):
É necessário que um corpus de textos pertencentes ao gênero seja analisado, para que sejam assinaladas suas características centrais.

Além disso, deve-se escolher um bom tema para desenvolver atividades em sala de aula e, para isso, devem ser levadas em consideração as quatro dimensões apresentadas a seguir (Cristóvão, 2002:97):
. A dimensão psicológica: incluindo as motivações, a afetividade e os interesses dos alunos;
. A dimensão cognitiva: refletindo a complexidade do tema e o estatuto do conhecimento dos alunos;
. A dimensão social: envolvendo a densidade social do tema, suas potencialidades polêmicas, a relação entre eles e os participantes, os aspectos éticos, sua presença real no interior ou exterior da escola e a possibilidade de, com ele se desenvolver um projeto de classe e;
. A dimensão didática: que demanda que o tema não seja excessivamente cotidiano, mas que possa ser apreensível.

Consideradas essas dimensões, devem ser respeitados os seguintes princípios (Cristóvão, 2002:97):
. "Pertinência: respeitando-se as finalidades e os objetivos escolares em função das capacidades dos alunos;
. Legitimidade: utilizando-se de conhecimentos de experts considerados legítimos pela comunidade a que pertencem;
. Solidarização: integrando-se as diferentes dimensões que constituem o gênero."

Um outro conceito essencial para o trabalho com gêneros de textos é o de capacidades de linguagem, tal como proposto por Dolz & Schneuwly (2004) que explicam que a noção de capacidades de linguagem evoca as aptidões requeridas do aprendiz para a produção de um gênero numa situação de interação determinada: adaptar-se às características do contexto e do referente (capacidade de ação); mobilizar modelos discursivos (capacidades discursivas); dominar as operações psicolingüísticas e as unidades lingüísticas (capacidades lingüístico-discursivas).

Vejamos a seguir cada uma das capacidades de linguagem mais detalhadamente. A primeira delas a ser discutida é a de ação. A capacidade de ação trata das representações que o agente produtor do texto tem sobre o contexto em que o gênero será produzido (Dolz & Schneuwly, 2004). Assim, a partir das representações que ele tem desse contexto, ele vai fazer as escolhas lingüísticas mais apropriadas à situação, levando em conta as seguintes questões: Quem escreve o quê; para quem; quando; onde e com qual objetivo?

A segunda capacidade de linguagem envolvida na produção textual é a discursiva. Dentro dela, o homem mobiliza modelos discursivos (Dolz e Schneuwly, 2004) para produzir seu texto. Pode-se dizer que ela diz respeito aos tipos de discurso e aos tipos de seqüências predominantes que um determinado gênero apresenta. Essas seqüências podem ser narrativas (que contam uma história), argumentativas (que tentam convencer ou persuadir o leitor), explicativas (que objetivam esclarecer algo difícil), descritivas (que fazem o leitor visualizar um conceito ou objeto), dialogais (que estabelecem relação de troca entre dois participantes ou mais) ou descritivas de ações (que intuem fazer com que o leitor veja ações a serem desenvolvidas para que ele alcance macro ações). Essas seqüências podem ser combinadas durante a produção de maneira que criem um texto misto e, ainda, adequado ao contexto. Já os tipos de discurso são operações psico-linguageiras segundo as quais o agente-produtor do texto organiza seu discurso em mundos discursivos da ordem do narrar (mundo disjunto ao da situação de comunicação) ou da ordem do expor (mundo conjunto ao da situação de comunicação). Além disso, tanto no eixo do narrar quanto no eixo do expor, o agente produtor pode deixar, em seu texto, marcas do contexto de produção, caracterizando o eixo da implicação. Ele pode também omitir essas marcas, caracterizando o eixo da autonomia em relação ao contexto de produção. Combinado esses quatro eixos, temos os quatro tipos de discurso propostos por Bronckart (1997): mundo do expor implicado (discurso interativo); mundo do expor autônomo (discurso teórico); mundo do narrar implicado (relato interativo); mundo do narrar autônomo (narração).

A terceira capacidade de linguagem a ser analisada em relação à produção de textos é a lingüístico-discursiva. É no desenvolvimento dela que o aluno deverá dominar as operações psicolingüísticas e as unidades lingüísticas (Dolz & Schneuwly, 2004). É com ela que o aluno desenvolverá seu texto lançando mão do uso correto das coesões nominais e verbais, da conexão apropriada entre os elementos de seu discurso, da coerência ao longo da produção, da modalização do discurso e do paralelismo presente na sua construção.

Uma vez que o aluno tenha compreendido o gênero de texto apresentado e seu contexto de produção, sua tarefa passa a ser a de produzir seu próprio texto utilizando-se das suas capacidades. Para tal, ele deverá, primeiramente, definir o enfoque de sua produção (aqui ele utilizará a capacidade de ação), escolher os tipos de discurso e as seqüências mais relevantes ao gênero proposto (utilizando-se, nessa parte, da capacidade discursiva) e moldar a produção de maneira que fique clara, coesa e coerente (nesse ponto, utilizando-se da capacidade lingüístico-discursiva).

A partir dos pressupostos teóricos expostos até então, a seguir encontraremos uma análise preliminar do texto "The Finest Dining in Virginia, Maryland and District" , escolhido por ser um exemplar contendo vários exemplos do gênero resenha de restaurantes e analisado segundo Bronckart (1997). Esta análise refere-se a um primeiro passo para uma futura elaboração de material didático para o ensino da Língua Inglesa, como trabalho do curso de Especialização já mencionado.

A análise preliminar: primeiras descobertas

Nesta seção serão apresentas as conclusões iniciais sobre o estudo preliminar sobre o texto escolhido. Esta análise faz-se necessária uma vez que para a futura elaboração do material didático, é necessário iniciar e complementar os estudos de levantamento das características do gênero escolhido. O que segue é o início desse processo.
Observando o texto podemos perceber que se trata de um texto que contém várias resenhas de restaurantes e que foi retirado da Internet. Os lugares de referência são Virginia, Maryland e District, nos Estados Unidos da América. O texto se encontra em um link de um site, cujo nome é Washingtonian on-line. Isso pode ser observado por meio de alguns indícios, como por exemplo, "on-line" no canto superior esquerdo, e "back to top" no meio da página, que nos remetem a textos da web. Estando permanentemente on-line, ele pode ser acessado a qualquer momento antes do leitor escolher o restaurante no qual quer ir, na seção denominada "Restaurants & Dining", em que os comentários são descritos com referência e base nos "100 Very Best Restaurants" (análise dos 100 Melhores Restaurantes de Virgínia, Maryland e distritos - EUA).

Os emissores do texto são Thomas Head, David Dorsen, e Cynthia Hacinli, que como enunciadores têm o papel social de críticos e/ou jornalistas especializados em gastronomia, com o objetivo de informar o receptor sobre os 100 melhores restaurantes das regiões mencionadas acima, destacando aspectos como: qualidade da comida (o critério principal), qualidade do serviço, e preço. O texto apresenta uma descrição de vários restaurantes e pode auxiliar o destinatário na escolha de um lugar para jantar, por exemplo. Os destinatários são possíveis clientes, de classe econômica que varia entre média e alta, que apreciam a boa culinária. As resenhas foram divididas por regiões e elaboradas pelos três autores.

Após uma breve análise do contexto de produção do texto, passaremos agora à análise de seus aspectos discursivos. Investigaremos a organização textual que aborda o plano global do texto, o tipo de discurso e a seqüência dominante no referido texto.

O texto está organizado em duas grandes partes: na primeira há uma apresentação geral da coluna escrita pelos três autores. Em seguida, vemos as pequenas resenhas dos restaurantes. Sendo assim, temos, na primeira parte, o título do site, seguido do título da seção: restaurants and dining. Logo depois, entre duas colunas contendo links, à esquerda, e outra contendo uma foto da revista e outros links, à direita, temos os subtítulos da página: 100 very best restaurants ; the finest dining in Virginia Maryland and the District. Depois disso, temos uma parte introdutória que faz uma análise da situação geral dos restaurantes na região, sobretudo após os ataques de 11 de setembro. Em seguida, temos os critérios de classificação dos restaurantes, com explicação dos critérios gerais e mais específicos. Nessa parte, em um primeiro momento, há uma avaliação do restaurante em geral, como por exemplo: "Restaurants are rated as good ?, very good ??, superior ??? or outstanding ????" e depois é avaliado o custo dos pratos: "A dinner for two-without alcohol but including three courses, tax, and a 15-percent tip is the basis for the cost guide: $40 or less, inexpensive; $41 to $70, moderate; $71 to $130, expensive; more than $130, very expensive". Finalmente, os autores dizem quem se encarregou dos restaurantes de qual região.

Na segunda parte, temos um título que a separa da primeira parte: twenty places to watch. Logo depois, temos a divisão por áreas, que é introduzida, por sua vez, por um subtítulo que contém as especialidades destacadas de cada região, como por exemplo: DISTRICT OF COLUMBIA: Mussels and Fries, a New Seafood House, and French Cooking Meets Índia. Em cada uma das regiões, encontramos algumas resenhas curtas, dos restaurantes analisados por cada autor.

Podemos sintetizar o plano global do texto analisado, descrito acima, através do seguinte quadro:

Primeira parte
. Título do site e título da seção
. Subtítulos
. Análise da situação geral dos restaurantes da região
. Critérios gerais de classificação
. Critérios mais específicos
. Indicação dos críticos por área de restaurantes
Segunda parte
. Título
. Área e tipos de comida encontrada nos restaurantes da área
. Resenhas dos restaurantes da área
. Área e tipos de comida encontrada nos restaurantes da área
. Resenhas dos restaurantes da área
. Área e tipos de comida encontrada nos restaurantes da área
. Resenhas dos restaurantes da área
Quadro 1: Síntese do plano global do texto

Na segunda parte, encontramos o conjunto de resenhas. Estas têm características comuns ao gênero resenha, apresentando uma breve descrição do restaurante e uma avaliação crítica. Assim, os textos expõem características dos restaurantes e incluem apreciações críticas sobre eles. O plano global do texto de cada resenha pode ser exemplificado da seguinte forma: nome do restaurante; endereço; breve descrição, contendo apreciação; classificação segundo os preços praticados no restaurante.

Dessa forma, as resenhas apresentam uma predominância da seqüência descritiva, tendo em vista que o objetivo é auxiliar na visualização de características específicas, como: qualidade da alimentação, custo das refeições, localização dos restaurantes, entre outros. Outra característica da seqüência descritiva presente no texto está relacionada à qualidade dos alimentos que pode ser encontrada na descrição de alguns produtos e também nas apreciações dos restaurantes que recebem como forma de avaliação nomenclaturas diferenciadas. A classificação por estrelas indicando qualidade pode ser visualizada à esquerda, em grupos de alguns restaurantes que possuem o mesmo número de estrelas.

Vale salientar que como a finalidade das resenhas não é apenas comunicar, mas também possibilitar a tomada de decisão por parte de leitor, elas apresentam comentários avaliativos, que, neste caso, devido ao breve espaço dedicado a cada restaurante, aparecem em uma fusão com a descrição do restaurante. Sendo assim, podemos dizer que a própria descrição do restaurante já é avaliativa, não sendo necessário um trecho posterior para veicular a apreciação.

Referindo-se agora ao tipo de discurso encontrado na resenha, pode-se dizer que se trata de um tipo de discurso autônomo, já que não existem marcas que remetem ao contexto de produção do texto, tais como: dêiticos de pessoa, temporais, espaciais etc. Além disso, o mundo discursivo criado é conjunto ao mundo da interação, caracterizando assim o tipo de discurso "discurso interativo".

Já nos direcionando ao final da análise realizada, em relação aos principais aspectos lingüísticos, encontramos os mecanismos de textualização, divididos em coesão nominal e verbal, e os mecanismos enunciativos como, por exemplo, as vozes do discurso e a modalização.

Em relação à coesão nominal, podemos citar a grande quantidade de nominalizações, encontradas em frases longas que procuram apresentar o máximo de informações possíveis em um espaço bastante restrito. Podemos ver um exemplo da coesão nominal no seguinte parágrafo: Komi (1509 17th St., NW; 202-332-9200). Chef Johnny Monis's casual American restaurant offers good cooking and conscientious and enthusiastic service. Moderate. A densidade de adjetivos e substantivos é bastante ala devido à necessidade de caracterizar ao máximo o restaurante no menor espaço possível.

A coesão verbal realiza-se no texto, por meio do uso de um mesmo tempo verbal em todos os parágrafos, no caso, o presente do indicativo, por exemplo: transforms, cooks, reflects, etc. A densidade verbal é bastante baixa, sendo que podemos encontrar geralmente um verbo por resenha, raramente dois verbos e às vezes, nenhum verbo. Este fato está em acordo com o que observamos em relação à coesão nominal, já que predominam os elementos avaliativos.

Analisando a modalização, percebe-se a predominância de modalizações apreciativas, que exprimem julgamento de valor por meio dos adjetivos avaliativos axiológicos, que, neste caso, são positivos . Por exemplo: new luxury restaurant, classic and contemporary Belgian dishes in a stylish....

Para finalizar, em relação às vozes presentes na resenha temos as vozes dos três jornalistas Thomas Head, David Dorsen e Cynthia Hacinli, que assinam seus textos, caracterizando vozes que são explícitas no texto. Além disso, por se tratar de um texto presente no site Washingtonian on-line, podemos dizer que a voz do site aparece por trás das vozes dos jornalistas, já que eles veiculam a maneira de pensar e de julgar estabelecida na redação do site. Ainda analisando as vozes explícitas, temos algumas menções a chefs de cozinha conhecidos, que funcionam como argumentos de autoridade, para atestar a qualidade do restaurante.

Podemos inferir, ainda, analisando as vozes que estão implícitas no texto, que por trás da voz do site Washingtonian on-line, há uma voz da ideologia americana, que aponta a recuperação dos Estados Unidos depois dos ataques de 11 de setembro, indicando o poder de superação de que o país é capaz. Assim, vemos que os jornalistas interessam-se em mostrar um American way-of-life que está mais vivo do que nunca, alguns anos após o ataque. Essa voz implícita pode ser percebida através da categoria do interdiscurso, apontada por Maingueneau (1989) como sendo uma das formas de perceber a heterogeneidade constitutiva do texto, que veicula vozes não tão facilmente identificáveis.

Algumas reflexões sobre o caminho percorrido

Este capítulo mostrou uma análise inicial elaborada por futuros Especialistas em Língua Inglesa, que procuraram fazer um levantamento preliminar das características de um texto encontrado em uma página da internet e que apresenta um conjunto de resenhas de restaurantes. A análise pôde evidenciar as características deste texto em específico, mas que também podem estar presentes em outros textos semelhantes a este. Em um passo futuro, os pesquisadores pretendem analisar outros exemplos do mesmo gênero de texto. Essa ação possibilitará um contraste e cruzamento de informações que possibilitará avançar na caracterização do gênero estudado, permitindo avançar na elaboração do modelo de gênero, passo essencial para qualquer elaboração de material didático baseada no conceito de gênero de texto.


Referências Bibliográficas

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